domingo, 28 de julho de 2013

dor de cabeça

Não há muito tempo, disseram-me que devia ser escritora.

Achei piada. A pessoa sobre a qual eu escrevia - aquela que despertava em mim esta necessidade de exteriorizar o que sinto - a dizer-me uma coisa dessas. Sorri para a mensagem, com as lágrimas nos olhos. Sentia a falta dele. Contudo, bem sabia que, para ele, isso não fazia a mínima diferença. Ainda o amava como antes - talvez até mais que antes - apesar de ele já não sentir o mesmo.
Nos últimos meses escrevia pontualmente, mas sempre para ele. Escrevia a meio da noite, quando ele adormecia e eu me sentia sozinha, escrevia quando sentia a necessidade de o apoiar ou encorajar ou simplesmente escrevia porque me dava um daqueles "ataques de amor"
Desde sempre, eu soube que ele me deixaria mas, curiosamente, pensava que ele seria incapaz de o fazer. Por estranho que pareça, acreditava nestas duas contradições, numa e noutra, cegamente. Eu tinha medo que ele me deixasse, que um dia se fartasse de mim, sem motivo aparente. E foi isso que aconteceu. Mas, outrora, eu acreditava com toda a minha força que se ele soubesse o quanto eu o amo, o quanto eu preciso dele, o quanto eu cresci com ele, a falta que ele me faz, que não me deixaria. Eu acreditava que se eu lhe conseguisse mostrar que ele é a única pessoa que realmente me consegue fazer sentir bem, completa, feliz, que ele ficaria comigo. Mas ele não ficou. Então, eu pensei que ele voltaria para mim se eu lhe mostrasse todas as feridas que ele curou, se eu lhe lembrasse de todas as noites em que ele pouco dormiu para poder falar comigo, de todas as vezes que, mesmo estando longe, nós demos a mão um ao outro e prometemos que tudo iria ficar bem. Eu enumerei todas as promessas que ele me havia feito, todas as promessas que, se ele me deixasse, não cumpriria. E eu fiz textos e textos e gastei todas as minhas palavras a tentar explicar-lhe tudo isto, a tentar explicar-lhe algo que é, acima de tudo, inexplicável: o amor. Mas isso não o trouxe de volta, ...

... a única coisa que ele disse foi que eu devia ser escritora.