Sinto a tua falta. Mas não posso fazer nada. Não consigo parar de sentir portanto só me resta esperar.
Fiquei preocupada quando soube que estavas doente mas, ao que parece, de resto está tudo bem contigo. Olha, comigo nem por isso. Preciso de ti e precisava, acima de tudo, que precisasses de mim também.
Dia 6 era suposto termos feito 10 meses e estarmos juntos mas, em vez disso, passei o dia a tentar esquecer-me de tudo e a sorrir para não chorar. Acabei a noite no sofá do Alex, ele de um lado e eu do outro. Quando ele adormeceu, eu chorei até estar cansada demais para sentir o que quer que fosse. O costume. Tu estás mais que habituado a ouvir-me chorar, mas o Alex não. Também acho que ele nem deu conta.
Acordei cedo para aquilo que viria a ser outro dia de merda. Discuti com o meu pai, como já tem sido rotina. Apesar de todas as lutas, amo-o tanto como amava antes. Sei que ele vai sempre amar-me porque é meu pai mas é certo que já não sou a menina dele, já não sou o seu orgulho e encanto. Agora ele ama-me apenas porque sim, porque está programado para isso. Vim para a minha mãe. Ela anda muito triste e deixou-me preocupada.
Só queria que os gritos parassem. Se não são os outros a gritarem que tenho que me recompor e que vou ficar bem, é o meu pai a gritar comigo. Se não é o meu pai, é a minha mãe e o namorado a gritarem um com outro. E, se não são esses gritos, és tu mais a merda das memórias a gritarem dentro da minha cabeça.
Olha, falámos há pouco. Mas no meio disto tudo, já nem há palavras tuas que me acalmem ou consolem. Ou melhor, até há. Tu é que não as dizes porque o nosso amor morreu.